Despejar um inquilino é fácil? Entenda os obstáculos legais e evite armadilhas jurídicas
Introdução
Despejar um inquilino por falta de pagamento pode parecer simples à primeira vista, mas o processo legal no Brasil exige cautela, conhecimento técnico e respeito à legislação vigente. Muitos proprietários se surpreendem com os entraves jurídicos, prazos e exigências processuais envolvidos em uma ação de despejo.
Este artigo esclarece, de forma objetiva e aprofundada, os principais obstáculos legais no despejo por inadimplência, oferecendo orientações valiosas para quem busca retomar seu imóvel de maneira legal e segura.
Por que o despejo não é tão simples quanto parece?
Ao contrário da crença comum, o proprietário não pode simplesmente exigir que o inquilino desocupe o imóvel de imediato, mesmo que haja atraso no pagamento do aluguel. O despejo exige o cumprimento de requisitos legais, entre eles:
- Notificação formal prévia ao inquilino inadimplente
- Prazo para purgação da mora (pagamento da dívida para evitar o despejo)
- Intervenção judicial com acompanhamento de um advogado
Todos esses elementos fazem parte de um processo formal, regido principalmente pela Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91).
Notificação extrajudicial: um passo essencial
Antes de ingressar com a ação judicial, o locador deve enviar uma notificação extrajudicial dando ao inquilino um prazo para regularizar o débito. Essa etapa é fundamental e frequentemente ignorada, o que pode causar nulidade da ação de despejo.
Purgar a mora: o direito do inquilino
Mesmo após o início da ação, o inquilino ainda tem o direito de evitar o despejo ao quitar os valores devidos em até 15 dias, desde que não tenha usado esse recurso nos últimos 24 meses.
Despejo judicial: etapas e entraves
O processo judicial envolve diversas fases que impactam diretamente o tempo e a complexidade da ação:
- Distribuição da ação e citação do inquilino
- Apresentação de defesa ou manifestação do devedor
- Fase de instrução (produção de provas, se necessário)
- Sentença e possibilidade de recurso
- Cumprimento de sentença, com expedição de mandado de despejo
Esse processo pode durar meses — ou até mais de um ano — dependendo da complexidade do caso e da comarca.
Imóvel comercial ou residencial: há diferença?
Sim. As regras de prazos, garantias e notificações podem variar entre contratos comerciais e residenciais. Em imóveis comerciais, por exemplo, existe maior flexibilidade contratual, mas também exigências específicas, como direito de renovatória.
Posse irregular não é o mesmo que inadimplência contratual
Há diferença entre um inquilino inadimplente e um ocupante sem contrato ou invasor. Cada situação exige medidas distintas, como ação de reintegração de posse ou ação de esbulho possessório, e não necessariamente a ação de despejo.
Consequências de erros no processo de despejo
Erros como notificações inválidas, cláusulas abusivas no contrato ou ausência de provas da inadimplência podem levar à improcedência da ação e até mesmo à condenação do locador ao pagamento de custas e honorários.
Importância de um contrato bem elaborado
Um contrato de locação claro e juridicamente bem estruturado reduz consideravelmente os riscos no futuro. Cláusulas específicas sobre prazos, garantias, encargos e consequências do inadimplemento são essenciais.
FAQ - Perguntas Frequentes
É possível despejar um inquilino sem contrato?
Sim, mas o processo é mais complexo. É necessário comprovar a existência da relação locatícia por meios alternativos de prova, como transferências bancárias ou mensagens.
Quanto tempo leva uma ação de despejo?
Depende da localidade e da complexidade, mas em média, um despejo por falta de pagamento pode levar de 6 a 18 meses.
O locador pode cortar água ou luz do imóvel como forma de pressão?
Não. Essa prática é ilegal e pode configurar infração à posse e ao Código Penal. Somente a Justiça pode determinar a desocupação do imóvel.
O que é purgar a mora?
É o direito do inquilino de quitar sua dívida (aluguel + encargos + custas) para evitar o despejo, desde que isso não tenha sido feito nos últimos 24 meses.
Posso cobrar multa por atraso no aluguel e ainda pedir o despejo?
Sim. A multa contratual não impede a ação de despejo. Ambas as penalidades são previstas em lei.
Conclusão
Despejar um inquilino inadimplente envolve muito mais do que simplesmente pedir a desocupação do imóvel. É necessário seguir todos os trâmites legais para garantir seus direitos sem correr riscos de nulidade, atrasos ou até prejuízos financeiros.
Contar com uma equipe especializada em Direito Imobiliário, como a Bonfante e Lemos Advogados Associados, é o caminho mais seguro para resolver a situação com eficiência, respeito à legislação e foco na proteção do seu patrimônio.
Publicado em: 04/07/2025
Sumario
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