Restituição de ITBI: Quando é Possível Recuperar o Imposto Pago Indevidamente? - Bonfante e Lemos Advogados Associados - Advogado Cascavel - PR
Categoria: Imobiliário

Restituição de ITBI: Quando é Possível Recuperar o Imposto Pago Indevidamente?


A restituição de ITBI é um direito pouco conhecido por quem compra ou recebe um imóvel. Muitas pessoas pagam o imposto e só depois descobrem que o valor foi calculado de forma incorreta ou que a transferência sequer se concretizou.

O ITBI, Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis, é cobrado pelos municípios sempre que há transferência onerosa de propriedade. No entanto, existem situações em que o valor pode ser devolvido ao contribuinte.

Neste artigo, você vai entender quando é possível pedir restituição de ITBI, quais documentos são necessários e como funciona o procedimento administrativo e judicial em todo o Brasil.

O que é ITBI e quando ele é devido

O ITBI é um tributo municipal previsto no artigo 156, inciso II, da Constituição Federal. Ele incide sobre a transmissão onerosa de bens imóveis e de direitos reais sobre imóveis.

Constituição Federal, art. 156, II: compete aos Municípios instituir impostos sobre transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imóveis.

Em regra, o imposto é pago antes do registro da escritura no cartório de registro de imóveis. Sem o comprovante de pagamento, o cartório não efetua o registro.

Base de cálculo do ITBI

A base de cálculo deve refletir o valor real da transação. Contudo, muitos municípios utilizam valores de referência superiores ao preço efetivamente negociado, o que gera cobranças indevidas.

O Superior Tribunal de Justiça consolidou entendimento de que o município não pode fixar base de cálculo unilateral sem observar o valor da transação, conforme decisões recentes disponíveis em stj.jus.br.

Quando é possível pedir restituição de ITBI

A restituição de ITBI pago indevidamente pode ocorrer em diferentes situações. A seguir, veja as hipóteses mais comuns.

1. Negócio não concretizado

Se o contrato foi desfeito antes do registro do imóvel, não houve efetiva transmissão da propriedade. Nesses casos, é possível requerer a devolução do valor pago.

2. Cobrança sobre valor superior ao da compra

Quando o município utiliza valor de referência acima do preço real da negociação, pode haver cobrança maior que a devida. O contribuinte pode discutir administrativamente ou judicialmente.

3. Reconhecimento de imunidade

Algumas operações são imunes ao ITBI, como integralização de capital social com imóvel, nos termos do artigo 156, parágrafo segundo, inciso I da Constituição Federal.

Se o imposto foi pago mesmo havendo imunidade constitucional, cabe pedido de restituição.

4. Erro de cálculo ou pagamento em duplicidade

Erros materiais também autorizam a devolução, como pagamento em duplicidade ou cálculo equivocado de alíquota.

Prazo para pedir restituição de ITBI

O prazo geral para pedir restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido, conforme o Código Tributário Nacional.

Art. 168 do Código Tributário Nacional: o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso de cinco anos.

Por isso, é essencial agir rapidamente ao identificar qualquer irregularidade.

Como funciona o pedido de restituição

Via administrativa

O primeiro caminho costuma ser o pedido diretamente na prefeitura. Normalmente são exigidos:

  • Comprovante de pagamento do ITBI
  • Escritura ou contrato
  • Documentos pessoais
  • Justificativa fundamentada

Cada município possui procedimento próprio. Caso o pedido seja negado, ainda é possível buscar o Judiciário.

Via judicial

Quando há negativa administrativa ou cobrança claramente indevida, pode ser proposta ação judicial para restituição do ITBI.

Nessa fase, a análise técnica é fundamental para demonstrar o erro na base de cálculo ou a inexistência do fato gerador. Para avaliar seu caso com segurança, é possível falar com a equipe da Bonfante e Lemos Advogados Associados.

Restituição de ITBI e decisões recentes dos tribunais

Os tribunais têm reconhecido que a base de cálculo deve respeitar o valor real da transação. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça vêm consolidando entendimento favorável ao contribuinte em casos de arbitramento indevido.

Essas decisões fortalecem o direito de quem pagou ITBI sobre valor superior ao negociado.

Documentos importantes para recuperar o ITBI

Para aumentar as chances de êxito, é essencial reunir:

  • Guia de recolhimento do ITBI
  • Comprovante de pagamento
  • Contrato de compra e venda
  • Avaliação do imóvel, se houver
  • Decisão administrativa, se já existente

Cada caso deve ser analisado individualmente. Uma avaliação preventiva pode evitar perda de prazo ou documentação incompleta. Em caso de dúvida, entre em contato por meio deste atendimento direto.

Perguntas frequentes sobre restituição de ITBI

Quem tem direito à restituição de ITBI?


Tem direito quem pagou o imposto indevidamente, em valor superior ao correto ou em situação de imunidade. Também cabe restituição quando o negócio não foi finalizado.

É possível pedir restituição mesmo após registrar o imóvel?


Sim. Se houver erro na base de cálculo ou cobrança indevida, o registro não impede o pedido de devolução.

Preciso entrar com ação judicial para recuperar o ITBI?


Nem sempre. Primeiro pode ser feito pedido administrativo. Se houver negativa ou demora excessiva, a via judicial pode ser necessária.

Qual o prazo para pedir restituição de ITBI?


O prazo é de cinco anos a partir do pagamento indevido, conforme o Código Tributário Nacional.

Conclusão

A restituição de ITBI é um direito garantido ao contribuinte quando há pagamento indevido, erro de cálculo ou cobrança inconstitucional.

Muitas pessoas deixam de recuperar valores relevantes por desconhecerem esse direito ou perderem o prazo legal. Uma análise técnica cuidadosa pode identificar ilegalidades e permitir a recuperação do imposto.

Se você desconfia que pagou ITBI em valor superior ao devido ou teve negócio desfeito, buscar orientação jurídica adequada é o caminho mais seguro para proteger seu patrimônio.

Publicado em: 23/02/2026

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